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- 06/06/06 09:06 Esta árvore discute o conteúdo do artigo: Educação e Cidadania

Na “liberdade de escolha da escola por parte das famílias” não está implícita a capacidade de avaliação da escola por parte dessas mesmas famílias? Se as famílias não têm, no dizer de alguns, competência para avaliar um professor, onde vão descobrir competência para avaliar uma escola?
Não será uma faca de dois gumes? Tenho conhecimento, relativamente a algumas escolas do ensino particular, que se os pais tentam opinar sobre algo que não concordam, lhes é dito que têm sempre a hipótese de escolherem outra escola. Aliás, já me responderam numa reunião de pais que se não estava contente com a Escola que colocasse a minha filha numa escola particular…, quando me insurgi com o facto de a professora de Educação Visual levar, segundo os alunos, imenso tempo ao telemóvel, desrespeitando o Regulamento e dando péssimo exemplo aos alunos. A própria directora de turma na altura afirmou que tinha dito à colega que não concordava com essa atitude, ao que ela respondeu, segundo a Directora de Turma, que o fazia para que os alunos percebessem a diferença que há entre alunos e professores… Claro que me indignei e enviei mail ao Conselho Pedagógico, de que não obtive resposta; mais tarde, enviei mail para o Ministério. Caiu o Carmo e a Trindade: fui chamada várias vezes para reuniões em que fui literalmente tratada como uma ré; a dita professora queixou-se na aula da mãe da minha filha que, no seu dizer, estava a querer que ela ficasse sem emprego e, de seguida, mandou os alunos fazerem uma carta individual a falar sobre a professora (claro que só escreveram maravilhas, muito embora não gostassem dela), numa manifesta exploração emocional dos alunos e abuso de autoridade. No intervalo seguinte e em todos os que se seguiram durante vários dias, os colegas e outros a quem eles contaram, perseguiram a minha filha, arremessando-lhe que a mãe era má e maluca e que ela devia ser igual… A minha filha deixou de dormir, chorava e tinha medo de ir para a escola, teve problemas intestinais durante vários dias que a impediram de frequentar a escola… Ficou com raiva de mim, que eu não percebia (ela, infelizmente, já percebia, aos 10 anos) que não valia a pena contestar fosse o que fosse. Entretanto, tinha-se encontrado uma desculpa para a professora utilizar o telemóvel – o marido tinha tido um acidente, estava muito mal, coitado, já não era para mostrar a diferença entre professores e alunos; só que… azar dos azares, encontrei ambos num hipermercado da cidade, com um aspecto perfeitamente normal, sem qualquer indício de acidente…
Escolher a escola? Eu até havia escolhido esta que, segundo professores e educadores, era das melhorzinhas; comprei até casa pertíssimo…
Não sei, não. A escola tem que ser um investimento, a todos os níveis, de todos. Escolher uma escola em detrimento de outras, não remeterá estas para o descalabro total? No Mundo Rural, têm-se fechado escolas porque têm poucos alunos. Porque não fechar as escolas que não têm o mínimo de qualidade? Porque não despedir os professores que o não são? Até para que os outros possam trabalhar descansados, sem os ter à perna… como em todas as instituições, um dos piores inimigos dos bons profissionais são os que o não são.
Umas perguntas finais aos que entendem que os pais não têm competência para avaliar os professores (o que será possível em relação a alguns, que até não têm como alguns professores uma qualquer licenciatura que lhes “legitima” a incompetência) : concordam em acabar com o direito de voto de alguns cidadãos? Teremos todos competência para avaliar um Governo, ainda por cima com tantas pressões de marketing e de influências? Não será melhor acabarmos com a democracia para todos? Quem, mal ou bem (com curso ou sem curso), ama os seus filhos e quer o melhor para eles? Quem é responsável legalmente por eles até à maioridade? Quem é obrigado por Lei a entregar a co-educação dos seus filhos a uma escola que não é? Trinta anos de Abril e vêm falar de incompetência/incapacidade de avaliação aos pais que há tantos anos aturam a vossa INCOMPETÊNCIA? Haja o mínimo de vergonha!

Os meus parabéns e agradecimentos aos bons professores. O meu voto de confiança a esta Ministra que tem tido a coragem, empenho e frontalidade que ninguém tive em 30 anos de democracia.
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- 06/06/06 16:06 Não posso estar mais de acordo com este senhor. Realmente as questões de Cidadania têm uma grande premência e são perfeitamente centrais ao desenvolvimento pessoal e social de cada um de nós.

Bem haja pela sua lucidez!
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- 23/06/06 13:06 O Direito/Dever de Educar compete aos Pais (nº5 Art.36º da CRP) – é um direito/dever inalienável com a única excepção prevista no nº6 do mesmo artigo que é o caso dos progenitores não cumprirem com os seus deveres fundamentais podendo os filhos, mediante decisão judicial, ser subtraídos à sua tutela.
Por outro lado, “o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas “ (nº2 do Art.43º da CRP). Ora é comumente aceite que educar ultrapassa a mera transmissão de um repositório de conhecimentos adquiridos (a instrução): para além dessa função, trata-se de estruturar a pessoa com critérios e princípios/valores para a vida que permitam a sua integração como cidadão responsável que para além do saber fazer, saiba ser e saiba estar com os outros (chamemos-lhe civismo ou educação “strictu sensu”). Algumas reflexões:
- Não existe um conceito de Estado Educador na nossa Constituição, daí não fazer sentido a oferta monolítica de Educação Estatal
- De acordo com o preceito constitucional referido (nº2 do Art.43º da CRP), o Estado não pode transmitir os princípios e valores que estruturam o jovem com vista à sua integração plena na sociedade.
- O Direito/Dever de Educar deverá ser recolocado nas famílias devendo competir a estas livremente fazer as opções educativas que acharem mais convenientes para os seus educandos independentemente, entre outras, da sua situação económica ou condição social (Art.13º da CRP). Como resultado da imposição do dever de educar o Estado, em abstracto, até ao limite da inibição do exercício do poder paternal referida, poderá/deverá co-responsabilizar os Pais e estabelecer penalidades pelas omissões ou negligências no exercício de tal dever.
- Por outro lado os art.74º e 75º referem que ao Estado incumbe, assegurar, criar e garantir a existência de um sistema de ensino público – mas será que o deverá gerir face às restrições referidas supra e a outros princípios como é a sua capacidade de gestão? O Ensino poderá continuar a ser Público porque o património (ou parte dele), a definição das grandes políticas educativas, a regulação de todo o Sistema compete ao Estado – contudo, julgo que muito teria a ganhar se a gestão dos seus estabelecimentos fosse concessionada (cooperativas de professores, idem com pais, empresas e/ou instituições vocacionadas para tal…). O modo como o sistema de ensino está organizado, cada vez mais vai levar às desigualdades sociais em que só tem acesso a ensino de qualidade (com honrosas excepções) quem pode pagar as propinas de Colégios Particulares – os candidatos a ingressar “fazem fila” para estas Instituições que, com regularidade, ocupam os primeiros lugares do ranking. Igual situação (procura dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo) gozam os estabelecimentos com Contratos de Associação.(Porque será?).
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- 02/08/06 10:08 Em relação ao que foi proferido pela Sr.ª LMartins, nada tem a ver com Educação e Cidadania mas sim com um problema entre esta Senhora e uma Professora onde está contida muita raiva e algumas discrepâncias. E é curioso como a própria afirma que"durante vários dias, os colegas e outros a quem eles contaram, perseguiram a minha filha, arremessando-lhe que a mãe era má e maluca e que ela devia ser igual" o que pode indicar que os restantes pais não estariam insatisfeitos mas tão somente a própria. Não contente em denegrir a imagem da Professora em questão acuasa TODOS OS PROFESSORES e cito:

"Trinta anos de Abril e vêm falar de incompetência/incapacidade de avaliação aos pais que há tantos anos aturam a vossa INCOMPETÊNCIA? Haja o mínimo de vergonha!"

Penso que está na altura de se avaliarem, isso sim, alguns Pais, que ou porque não tiveram experiências felizes enquanto alunos ou porque se arrogam agora no Direito de se constituírem como grandes Pedagogos querem que o sistema de ensino se torne yuma espécie de barco das vontades pessoais de cada um. Mas nem os alunos nem os Professores são cobaias ou devem ser instrumentalizados para esse fim. Ainda bem que os Pais na sua maioria são importantes parceiros numa Escola que se quer de todos e não de alguns
Aconselho a Sr.ª a ter algum cuidado com as expressões anteriores pois podem perfilar um quadro de Difamação. Sendo a minha esposa Professora já aconselhei a mesma a saber quem é a autora do escrito e a dirigir-se ao Departamento Júridico do seu Sindicato pois esta Senhora num acesso de raiva mostrou o que não deve ser um caso de Cidadania.
Quanto à Ministra, pergunto eu, se estão satisfeitos porquê tanta revolta com os Exames (e isto para não falar das despesas de educação que deixarão de contar no I.R.S)
Vi isto num Blogue e gostei:

“ Dez erros da Equipa Ministerial de Educação

1. Querer ultrapassar o insucesso escolar sem investimento
2. Não apostar no reforço da autoridade dos Professores e Funcionários das Escolas
3. Mudanças e reformas inconsequentes
4. Confundir visão pessoal com o todo
5. Falta de capacidade de diálogo, confundir a mesmo com falta de poder para tomar decisões
6. Demagogia no discurso político
7. Não utilizar um discurso pedagógico e científico
8. Falta de praxis no sector educativo
9. Curriculum inadequado para enfrentar os problemas no sector educativo
10. Contribuir para a criação de uma clima de conflitualidade entre os agentes educativos

Dez mandamentos de Combate ao Insucesso Escolar

1. Apetrechar as Escolas de equipamento escolar adequado (cadeiras, mesas).
2. Dotar as escolas de Espaços Fisicos adequados à prática lectiva.(salas de alunos e professores com material próprio e adequado).
3. Reforçar a componente diciplinar dotando os agentes de educação de maior autoridade e 4. simplificar os processos disciplinares do ponto de vista burocrático.
4. Reformular os programas (alguns inapropriados ou demasiados extensos).
5. Penalizar os Encarregados de Educaçaõ que manifestem sinais de abandono em relação so seus filhos(processos rápidos em Tribunais de Família).
6. Criar dispensas próprias aos Encarregados de Educação por forma a que estes se possam ausentar pelo menos uma vêz por mês para participarem na vida escolar.
7. Reformular a formação de Professores de acordo com as didáticas específicas de cada grupo disciplinar.
8. Permitir que os alunos usufruam do espaço de Recreio terminando com o excesso de substuições em espaços fechados.
9. Estabelecer parcerias e contratos com Monitores junto das Autarquias Locais para ocupação de tempos livres.
10. Diminuir o número de alunos por turma.

Isto sim é contribui para um debate nacional sobre educação
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- 05/08/06 04:08 Caro Sr. Educare:

1 - Não querendo segui-lo na personalização deste debate e não podendo/devendo deixar aqui a minha morada e identificação completa, aconselho-o agora eu a aconselhar a sua esposa professora a dirigir-se directamente à DREL, que manterá o processo da minha queixa da altura, com vista a colher eventual matéria para queixa crime de “Difamação” contra mim (?). Os arquivos da P.I.D.E. também poderão ser uma boa escolha…

2 – Só vemos mesmo o que queremos ver: “No intervalo seguinte e em todos os que se seguiram durante vários dias, os colegas e outros a quem eles contaram, perseguiram a minha filha, arremessando-lhe que a mãe era má e maluca e que ela devia ser igual…” Onde vê aqui os pais que, queixam-se, não vêm nas reuniões de pais?

Parece que não leu atentamente, também por: “Os meus parabéns e agradecimentos aos bons professores. O meu voto de confiança a esta Ministra que tem tido a coragem, empenho e frontalidade que ninguém tive em 30 anos de democracia.”
e “a dita professora queixou-se na aula da mãe da minha filha que, no seu dizer, estava a querer que ela ficasse sem emprego e, de seguida, mandou os alunos fazerem uma carta individual a falar sobre a professora (claro que só escreveram maravilhas, muito embora não gostassem dela), numa manifesta exploração emocional dos alunos e abuso de autoridade.”

3 – Diga-nos, a propósito da “falta de competência dos pais em avaliar os professores” concorda … em acabar com o direito de voto de alguns cidadãos? Teremos todos competência para avaliar um Governo, ainda por cima com tantas pressões de marketing e de influências? Não será melhor acabarmos com a democracia para todos?”

Para debate:

1 - Porque será que o filho de uma Professora, directora de uma Escola EB1, pertencente ao Agrupamento Vertical de Escolas Ordem de Sant’Iago, vai frequentar o 5º ano numa Escola pertencente a outro agrupamento, Vertical de Escolas Cetóbriga, que ainda por cima não pertence à sua residência?

2 - Porque é que a filha de um pai que tem outra profissão que não a da Professor, residindo a 50 metros de uma escola pertencente a este mesmo Agrupamento Cetóbriga (da janela acompanha-se as entradas e saídas dos alunos), vai ter que utilizar duas carreiras de autocarros para ir para uma outra Escola, na Bela Vista, de um Agrupamento a que a sua residência não pertence, a cerca de 8 kms de distância, precisamente o Agrupamento Vertical de Escolas Ordem de Sant’Iago?

3 - A reclamação, em formato de pedido de transferência, foi feita, mas foi logo dito que não devia haver hipótese porque agora era capaz de já não haver vaga…

Sem comentários, apenas deixo aqui os factos; não se obtiveram justificações.
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- 05/08/06 05:08 Concordo com toda a sua reflexão.

No entanto, se "O Direito/Dever de Educar compete aos Pais (nº5 Art.36º da CRP) – é um direito/dever inalienável com a única excepção prevista no nº6 do mesmo artigo que é o caso dos progenitores não cumprirem com os seus deveres fundamentais podendo os filhos, mediante decisão judicial, ser subtraídos à sua tutela.", para quê um Ministério de Educação, sobre o qual os pais não têm podido intervir?

Quem sabe, um sistema misto, em que os pais pudessem trabalhar em "part-time" para melhor poderem educar os seus filhos e melhor perceberem as dificuldades com que os porfessores se confrontam e os professores, também em "Part-time" pudessem desenvolver outras profissões paralelas, para melhor entenderem o outro mundo do trabalho, com ganhos para o seu desenvolvimento pessoal e social... Quem sabe seria mais útil que a permanência dos professores nas escolas por mais tempo, como agora se defende... Seria um grande desafio à Educaçao e Cidadania...
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