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- 09/06/06 01:06 Esta árvore discute o conteúdo do artigo: Medidas e Metas para a Educação

Quanto a mim existem três alterações no sistema de ensino que devem acabar:
1. Disciplinas apenas uma vez por semana. É preferível ter 45 mais 45 do que uma vez 90 minutos. Música, Inglês, História, Educação Física, e mesmo Formação Cívica ou Estudo acompanhado. Não tem sentido uma vez por semana.
2. Turmas com 28 alunos. Resolvia-se o abandono e o insucesso com turmas de 20 alunos (máximo de 25 alunos!!)
3. Três blocos de 90 seguidos. Dantes, com aulas de 50 minutos, em 5 horas, os alunos tinham 250 minutos de aula (efectivamente 225 pois todas as aulas tinham 5 minutos de tolerância) e 50 minutos de intervalo. Agora, nas mesmas 5 horas, têm 3 blocos de 90 minutos. São 270 minutos de aula com 30 minutos de intervalo. É absolutamente desumano. Os alunos necessitam de mais tempo de intervalo para que se possam empenhar, com qualidade, no tempo lectivo. Nós adultos e motivados, quando vamos a um congresso/ acção de formação, só temos dois tempos de 90 minutos com 30 minutos de intervalo, antes do almoço. É assim que deveria ser. À tarde, novamente dois blocos de 90. O que se passa é que tanto os professores, como os alunos (e seus pais) consideram que é qualidade ter as aulas todas só de manhã e acabar a escola cedo. Isso tem os seus custos.

As aulas teriam uma lógica de 2 horas e os intervalos seriam geridos caso a caso nomeadamente com o Conselho de turma, os alunos e os Encarregados de Educação.
Entravam às 9h e saíam às 17. Blocos às 9.00/10.30, 11.00/12.30, 13.30/15.00 e 15.30/ 17.00 horas.
Talvez menos adolescentes fossem em jejum para a escola os primeiros 90 minutos...e intervalos de 30 minutos já dá para comer, ir à casa de banho e jogar Basquetebol, Futebol ou Ténis de Mesa... conversar e fazer amigos.

Para além de ser professora de Educação Física sou mãe de três filhas:
– uma no primeiro ano do primeiro ciclo na EB1 António Rebelo de Andrade;
– um a no primeiro ano do segundo ciclo na EB23 Conde de Oeiras;
– uma no primeiro ano do ensino secundário na ES Sebastião e Silva.



Sou Margarida Cristina de Sá Pires, professora do quadro da ES Luís de Freitas Branco e estive este ano lectivo destacada por aproximação na ES Quinta do Marquês.
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- 14/06/06 00:06 Subscrevo inteiramente a sua posição: as disciplinas com apenas 90 minutos semanais deveriam ser novamente desdobradas; isto tem uma lógica, que reside também no facto de os conhecimentos requererem amadurecimento, reflexão, confronto com o quotidiano... sobretudo nas disciplinas teóricas.Quanto ao outro aspecto, já manifestei aqui neste fórum a minha posição de que os alunos precisam de tempo para socializar, para conviverem, sobretudo numa fase da sua formação em que são tão importantes as relações sociais. Também o colega Luís Ladeira referiu e muito bem que a escola não é diferente do resto da sociedade; é um espaço onde os jovens ensaiam o futuro, local de aprendizagens múltiplas, não apenas de conteúdos curriculares.
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- 17/06/06 22:06 Temos a tentação, a que o próprio governo está longe de ser imune, de tentar resolver os problemas da educação com medidas avulsas. Compreende-se : também os problemas são avulsos, e são de tal maneira numerosos que a própria ideia de os ordenar por prioridades nos deixa com a sensação que estamos a ignorar coisas que não podem ser ignoradas.

E contudo há duas medidas sem as quais tudo o que se fizer em educação, por mais revolucionário ou corajoso que pareça e por mais votos que renda ao partido do governo, será mero paliativo lampedusiano.

Para inverter os efeitos da filosofia da educação delirante que está na base das nossas políticas educativas*, e para trazer de novo as escolas às funções que lhes competem, é preciso antes de mais nada criar, ou permitir que se crie, uma Ordem dos Professores; e em segundo lugar extinguir o Ministério da Educação, distribuindo as suas competências, segundo o princípio da subsidiariedade, por autoridades educativas regionais e locais** e pelas próprias escolas.

A ideia duma Ordem dos Professores assusta muita gente. Assusta em primeiro lugar o Estado, que não quer enfrentar a concorrência de mais uma «corporação». Assusta os sindicatos, que não querem uma estrutura representativa de professores que desloque a actividade reivindicativa do campo estritamente laboral para o campo da cidadania e da utilidade pública. Assusta umaa esquerda, que vê nela uma manifestação de elitismo. E assusta uma certa direita, que não reconhece direito de cidade a qualquer parcela da sociedade civil que não sejam as empresas.

Conviria reconhecer, no entanto, que as corporações, quando expulsas pela porta, voltam a entrar pela janela. Não é por não haver uma Ordem dos Professores que a corporação deixa de existir. Simplesmente, em vez de existir onde faz falta, existe onde é mais nociva: na direcção das escolas e na pesadíssima burocracia do Ministério.

Para que serviria a Ordem? Para certificar, na sequência de provas adequadas e por meio duma carteira profissional, a aptidão dos candidatos à profissão.Para criar um código ético e deontológico para a profissão que vinculasse os professores não só pela obediência, mas pela vontade; para definir, tendo em conta esse código, as tarefas próprias da profissão; para defender os professores contra solicitações ou ordens do poder público ou dos poderes privados que fossem eventualmente incompatíveis com a sua função na sociedade; e para elevar os professores da condição de funcionários à condição muito mais exigente de profissionais

Quanto à extinção do Ministério, é desde logo uma questão do mais elementar bom senso. Quando se sabe que uma percentagem elevadíssima do orçamento da educação vai para pagar vencimentos, é criminoso que tantos desses vencimentos sejam pagos a burocratas que nunca deram uma aula - ou pior, que deram, não gostaram, e procuraram refúgio onde nunca mais tivessem que dar nenhuma.

Ficaria tudo resolvido com estas duas medidas? Nem por sombras. Mas nada ficará resolvido sem elas.

Há, porém, muitas medidas avulsas que poderiam e deveriam ser tomadas, das quais, ressalvando o que escrevi acima, passo a indicar algumas:

1. Responsabilização dos alunos em matéria disciplinar.Os professores e os funcionários deviam ter o poder de punir, sem complicações burocráticas, um aluno que lhes respondesse torto ou que batesse num colega - sem falar em actos mais graves como boicotes à aprendizagem, roubos, extorsões, campanhas de terror, e actos de vandalismo. Se o encarregado de educação do aluno não concordasse com a punição aplicada, poderia recorrer dela: então, e só então, haveria lugar à abertura de processo, investigação formal, recolha de provas, audição de testemunhas, e a todos os outros procedimentos destinados a assegurar os direitos de defesa do aluno.

2.Responsabilização dos encarregados de educação pela assiduidade e comportamento dos seus educandos. As faltas disciplinares deviam ser repostas. Os encarregados de educação deviam perder o direito de justificar faltas. Sempre que um aluno tivesse uma falta de presença injustificada ou uma falta disciplinar (injustificável por natureza) o encarregado de educação devia ter que pagar uma coima. Na Suíça, onde leccionei, essa coima era de 100 CHF no cantão onde vivia - o equivalente a 65€. Dada a diferença nos níveis de vida, acho que 20€ seria uma quantia razoável para Portugal. No caso de não concordar com a coima, o encarregado de educação poderia interpor recurso mediante o depósito em dobro da quantia em causa, recebendo tudo em caso de decisão a seu favor e perdendo tudo em caso de decisão a favor da escola. Se no fim do ano lectivo houvesse coimas por pagar, seria vedada ao aluno a frequência da mesma escola no ano lectivo seguinte.

3.Escolha livre da escola por parte dos encarregados de educação, sujeita porém aos resultados obtidos pelo aluno nos anos anteriores. Não faria sentido que a um aluno mal classificado numa escola de baixo nível de exigência fosse permitido frequentar no ano seguinte uma escola caracterizada por um nível de exigência alto.

4.Substituição das reprovações e das retenções pela mudança de escola: um aluno com más classificações frequentaria o ano seguinte numa escola com um nível de exigência mais baixo, um aluno com classificações altas teria acesso a uma escola mais exigente, e um aluno com classificações médias continuaria no nível em que estava.

5.Fim das disciplinas de banda estreita. A função das escolas generalistas não deve ser o fornecimento de competências profissionais muito específicas, mas sim o fornecimento de competências gerais - domínio da língua materna, articulação do discurso e do pensamento, inglês, matemática, uso de certos instrumentos transversais a quase todas as actividades profissionais, culturais ou lúdicas - como o automóvel e o computador - e bem assim um domínio razoável do método científico de validação do conhecimento.

6.Separação - não necessariamente geográfica - entre as escolas do ensino básico e as do ensino secundário.

7.Impedimento de matrículas no ensino secundário em disciplinas a que o aluno tivesse tido média inferior a 3,5 no terceiro ciclo do ensino básico.

8.Exames de admissão ao ensino secundário, a cargo das respectivas escolas.

9.Formação profissional obrigatória para quem ficasse impedido de frequentar o ensino secundário por força do disposto nos dois números anteriores.

10.Exames nacionais finais em todos os ciclos (desburocratizados, porém, e reduzidos a uma só chamada, uma só época e uma só versão para cada nível de cada disciplina, de modo a não ocupar com exames o tempo que as escolas devem dedicar ao ensino). Destes exames ficariam dispensados os alunos que, tendo concluído a frequência do 3º ciclo, se inscrevessem nos exames de admissão ao ensino secundário, de modo a que não houvesse duplicação de exames.

11.Exames de admissão aos estabelecimentos de ensino superior (a cargo destes).

12.Criação de escolas profissionais em grande número.

13.Férias escolares mais curtas e mais frequentes, calculadas de modo a que o número anual de semanas lectivas crescesse mas a duração dos períodos lectivos diminuisse.

14. Utilização de outros edifícios públicos ou, mediante contrapartida, privados, para a realização de exames e outras tarefas para-escolares que pudessem interferir com o calendário lectivo dos estabelecimentos.

15.Obrigatoriedade de boas condições de trabalho e conforto nas escolas. Abaixo de certas temperaturas ou acima de certas temperaturas, ou em condições insalubres ou de falta de higiene, as aulas deviam ser suspensas ou mesmo, nos casos mais graves, a escola definitivamente encerrada.

Estes são só alguns exemplos avulsos de coisas que seria possível fazer. Mas repito; nada disto fará grande diferença sem uma Ordem dos Professores e sem o desmantelamento da burocracia administrativa que sufoca o ensino. O Ministério da Educação é parte do problema, e dele nunca virá a solução.

*E não só das nossas, muitos outros países sofrem do mesmo mal.A Áustria, a Suíça e a Alemanha parecem relativamente imunes, provavelmente porque nos seus sistemas políticos não há Ministérios da Educação nem entidades equivalentes a nível nacional.

**Que tal se tivéssemos em cada autarquia um Provedor das Escolas eleito por sufrágio universal?
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- 18/06/06 14:06 concordo abslutamente convosco quanto à 3ª questão levantada pela margarida acerca do excesso de carga horária e falta de tempo de descanso/socialização na nossa escola; quantos profissionais adultos trabalham entre as 8h15 e as 13h15 com apenas 2 periodos de 15 minutos de pausa? e desses quantos o fazem sem ir conversando com o colega do lado, permanentemente concentrados? o primeiro herói que atire a pedra; estamos, claramente, a pedir aos nossos alunos aquilo que nem nós conseguiriamos fazer.

Não posso, contudo, concordar com a primeira afirmação assim de forma tão taxativa. Sou professor de música, e o tipo de trabalho que desenvovlo com os meus alunos não é, de todo, compativel com aulas de 45 minutos. Já passei por essa experiência e concluí rapidamente que essas aulas me obrigavam a desenvolver um trabalho quase exculsivamete teórico e empobrecedor, que tem muito pouco interesse para o que faço.

Passei inclusive pela experiência de ter no mesmo ano e na mesma escola turmas com 2x45 minuitos e outras com 1x90 por conveniencias de horário e posso garantir que isso se reflectiu muito no forma como trabalhámos
termino com uma interrogação acerca da segunda afirmação: em que dados se baseia para afirmar tal coisa? parece-me leviana a afirmação, tanto mais quando sabemos que o abandono tem, infelizmente, causas muito mais profundas que o tamanho das turmas.
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- 20/06/06 01:06 Bem, abelarez, a falar é que nos entendemos e ainda bem que surgem outras opiniões com os respectivos argumentos: a disciplina que lecciono é teórica, e nos níveis em que a carga horária semanal é reduzida torna-se mais proveitoso o desdobramento, pelos vistos nos caso da Educação Musical não será assim. Provavelmente existe investigação sobre o assunto que deveria ser localizada e estudada em função do nosso sistema educativo; melhor ainda, não disporemos de investigadores na área das Ciências da Educação que possam organizar e coordenar uma pesquisa sobre esta e outra matérias, com utilidade para o nosso sistema educativo? Quiron, a questão das medidas avulsas resulta da incapacidade, ou falta de vontade, que sucessivos executivos têm demonstrado em rever o nosso sistema educativo; se calhar estava na hora de os governos se deixarem de medidas políticas, a aplicar durante uma legislatura, e começassem um trabalho de fundo no sentido de efectuar uma revisão/reforma total ao sistema, mesmo que tal implicasse a continuidade do trabalho na legislatura seguinte.
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- 22/06/06 10:06 Em geral concordo com as medidas defendidas, mas não pense que poderão ser adoptadas. O objectivo é "dizer" que aumentamos o nível de escolaridade dos portugueses. Assim, continuaremos na mesma! Não se defende qualidade e exigência! Brevemente desisto de lutar! Sinto-me só!

Item editado por: mariamatos, em: AM/06/22 10:06
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