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- 30/10/06 12:10 Não encontrei, nas obras tradicionais, nenhuma definição clara sobre o que se entende por “objecto de estudo”. Alguns autores equivalem-no ao “tema do estudo”. Contudo, parece-me que pode ser entendido como um conjunto de itens incluindo o tema, os sujeitos (ou agentes, ou objectos), o local da investigação e os objectivos. No seguimento deste raciocínio direi que objecto é o “alvo do estudo”. Metaforicamente irei jogar dardos (tema), sendo no alvo (objecto) onde se encontra o local que pretendo acertar (objectivo). Assim, poder-se-á considerar, “objecto” situando-se algures entre o “tema” e o “objectivo” (incluindo-se o local de estudo), considerando-se os “objectos” como as “coisas” em análise. Mas, se se tratarem de seres humanos, parece-me que o mais correcto será chamar-lhes sujeitos (ou agentes, como prefere Bourdieu, 1989).
Relativamente às diferenças entre metodologia e métodos, com uma frase poder-se-ia acabar com estes desentendimentos: metodologias são mais abrangentes e são duas, as extensivas (quantitativas) e as intensivas (qualitativas), o resto são métodos ou variantes às metodologias que lhes estão associadas como, por exemplo, etnografia associada à metodologia qualitativa, ou estudo de caso que poderá estar associado às duas. Existe alguma confusão, nas obras em geral, surgindo até o termo “técnicas” (instrumentos) em substituição de “métodos” (caminhos).
Nota-se, assim, alguma falta de consenso destes conceitos por parte de vários autores. Até mesmo nos que, à partida, não deveriam levantar qualquer problema como, por exemplo, as diferenças entre inquérito por entrevista e inquérito por questionário. Carmo e Ferreira (1998, p. 125) dizem simplesmente isto, não se entendendo onde podem surgir dúvidas: “o primeiro ser realizado em situação presencial, enquanto que o segundo é administrado à distância”. Aliás, não é só relativamente a estes conceitos, aparentemente simples, que sobressaem algumas contradições entre os autores, ou mesmo a inexistência de qualquer clarificação. Até o próprio termo “conceito” é alvo de vários ataques de diversos quadrantes. A respeito de termos “destrinçados até ao tutano”, Bourdieu (1989), parece-me que rompe com este modo de pensamento, preferindo definir os “termos empolados da grande teoria” (idem, p. 28), somente pelo “prazer de colar rótulos novos em frascos velhos” (ibidem). Alguns autores chegam ao ponto de saturação, acentuando que já existem tantas tentativas de definição, que mais uma não faz qualquer diferença (Hall referindo-se a “cultura”, cit. Vieira, 1999, p.60). Como exemplo desse limite, é a procura das diferenças entre “métodos” e “método” por parte de alguns, ou na definição de “mal-estar”, quando se chega a dizer que não deve ser confundido com... “mal-estar” (Jesus, 1996, p. 233). Esta guerra de definições, pode ser vista como “pontos de vista filosóficos que definem a posição do espírito humano perante o objecto” (Carmo e Ferreira, 1998, p. 175). Crato (2006) “aproveita” e atribui a esta falta de clareza como uma característica do “eduquês”.

Bibliografia referenciada
• BOURDIEU, Pierre – O Poder Simbólico. Lisboa: Difel, 1989
• CARMO, Hermano; FERREIRA, Manuela M. - Metodologia da Investigação - Guia para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
• CRATO, Nuno – O “Eduquês” em Discurso Directo – Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista. Lisboa: Gradiva, 2006
• JESUS, Saúl N. – Motivação e Formação de Professores. Coimbra: Quarteto Editora, 1996
• VIEIRA, Ricardo – Histórias de Vida e Identidades. Professores e Interculturalidades. Porto: Ed. Afrontamento, 1999
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