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- 24/08/06 11:08 Já li o documento que orienta o que deve ser o trabalho a desenvolver na àrea de Projecto, http://www.gaaires.min-edu.pt/.
Sem dúvida que, e como eu já esperava, os objectivos são louváveis, mas.....
Temos um ano para desenvolver com os alunos trabalhos com características que, penso, exigem dedicação e esforço. Ora, isto é no 12º ano, o 3º ano de um ciclo de estudos em que se está à espera que se consiga o que até aí não terá sido preparado sequer. Digo isto porque até ao final do 3º ciclo impera a ordem suprema de "passem-se todos os meninos" que a retenção seja o último recurso.... leia-se o OC da DREL de 11-08-2006 (se não estou em erro).
Este tipo de trabalho "Área de Projecto", que é e se pretende sério, deve ser começado a exercitar nos primeiros anos de escola..... Não é num ano que se desenvolve um trabalçho destes de qualidade. Exija-se dos alunos, gradualmente, a produção de pequenos trabalhos com características de trabalho científico desde cedo e então eles estarão preparados para a Área de Projecto. Esta "disciplina" dá trabalho, e o que me parece, mais uma vez, é que o sistema está a ir pela via do esperar resultados imediatos. Das duas uma, ou a ambição é muita e alguns alunos (muito poucos) conseguirão uma boa produção, ou vai ser uma brincadeira..... e mais um trabalho para desenvolver em tempo record no fim do 3º período que é quando terá mesmo que ser finalizado...
Há (muitas) maneiras de ocupar os alunos na escola o tempo todo desde o 1º ciclo; com uma panóplia de disciplinas (EA, FC....Educação sexual) que vieram tirar aulas a algumas mais duras como as ciências exactas e até línguas.... tanta perda de tempo, tanto mais quando se pretende que a educação cívica e a orientação dos alunos para o estudo seja uma função transversal a todas as disciplinas (senão vejam-se os programas respectivos). Ponham.se os alunos a produzir trabalhos de pesquisa desde cedo, redigir de relatórios e apresentação.... e estarão melhor preparados para uma melhor Área de Projecto.
A propósito vou falar da minha experiência em trabalho deste tipo:há uns anos a esta parte desenvolvo com os meus alunos projectos que promovem a interdisciplina entre as Ciências e as TIC*,


*Os alunos desenvolvem um projecto de investigação nas áreas de Física e Química, que poderão ser multidisciplinares, cuja apresentação final contempla uma apresentação pública, em formato de comunicação/conferência, e em que têm que fazer uso de suportes informáticos. Para o efeito, e além de outros aspectos científicos inerentes,são definidos inicialmente critérios de formatação e apresentação. Quando comecei a desenvolver este tipo de trabalho estava sozinha, mas actualmente tenho proposto aos professores de TIC a intervenção nessa experiência de aprendizagem, do que tem resultado um trabalho, a meu ver, de melhor qualidade. Já partilhei a actividade com professores de Biologia, Matemática e Inglês, do que resultou um maior enriquecimento. Isto com alunos do 10º e 11º ano. Acrescento que alguns colegas e se revelaram contra a exigência do trabalho e do facto de eu "obrigar" à existência de um abstract numa língua estrangeira!
Goreti

Atenciosamente, com os melhores cumprimentos
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- 08/11/06 17:11 Parece-me que chegou a hora de deixar de ser "velho do restelo".

A área de projecto está implementada noutros países com sucesso.
Posso citar a França e os Estados Unidos onde a aprendizagem baseada em projectos, responsabilizando o aluno pela sua aprendizagem já se faz à algum tempo.

Sou professora de Artes e este ano estou responsável por duas turmas de área de projecto e devo desde já dizer que estou a gostar imenso.

Ao contrário do que oiço dizer não me sinto perdida, nem prevejo grande dificuldade na avaliação dos alunos.

Se precisarem de ajuda estou aqui.
Paula
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- 10/11/06 00:11 Penso que a Área de Projecto é das melhores medidas que foram tomadas no ensino secundário. Pode tornar-se uma área onde os alunos exercitem competências essenciais para iniciarem a investigação, nomeadamente pôr problemas e ensaiar a resolução destes, utilizando recursos de várias disciplinas ou áreas do saber. Parece-me correcto que esta área seja colocada no último ano do ensino secundário, visto que nos anos anteriores terão, em princípio, adquirido conhecimentos que lhes permitam fazer um trabalho sério em que aprofundarão conhecimentos e competências e, por outro lado poderão integrar-se melhor no ensino superior, dado terem adquirido já alguma autonomia. Refira-se, de passagem, que o "encurtamento" dos cursos do ensino superior pressupõe que os alunos já tenham adquirido algumas técnicas de investigação.
No entanto, o Ministério está a cometer um erro ao generalizar esta reforma sem a necessária experimentação e praticamente sem acções de formação para os professores.
O perigo está também na forma como as escolas vão encarar esta área. Creio que deve haver um grande acompanhamento dos conselhos de turma, um apoio efectivo das direcções das escolas e algum cuidado na escolha dos professores que nunca poderão ser indicados apenas para completar horários
Ao contrário, tenho bastantes dúvidas sobre a implementação da área de projecto em todos os anos do 2º e 3º ciclo, o que se tem feito também à custa da perda de horas, sobretudo nas áreas das Ciências Sociais e das Ciências Experimentais. Parece-me que, sem alguns conhecimentos prévios, não se pode desenvover a área de projecto em condições. Por mim, sem abandonar esta área, proporia que ela se realizasse apenas no final de cada ciclo de ensino.
João Simas
Évora
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- 10/11/06 16:11 Concordo a 100% com tudo o que diz.

Paula
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- 12/11/06 13:11 Sem dúvida que a Área Projecto é o caminho certo para a apredizagem efectiva. Especialmente no 12º Ano em que os alunos devem empreender e adquirir competências fundamentais, nomeadamente, competências relacionadas com a investigação, com a organização, ente outras.
Partilhamos das mesmas convicções e preocupações.
Criámos um Blog, onde publicamos os nossos trabalhos de investigação.

[i]vide http://www.areaprojecto1.blogspot.com/
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- 13/11/06 22:11 No entanto, há outro problema a resolver e que condiciona o ensino secundário:o acesso ao ensino superior. Enquanto o acesso ao ensino superior for condicionado apenas pelas notas dos exames do ensino secundário, muitos professores, as escolas e, sobretudo, as escolas do ensino particular pouco terão em conta as potencialidades da área de projecto. Entra-se nas universidades ou nos institutos politécnicos com médias e, sobretudo, com médias de determinadas disciplinas obtidas em exames. Parece que nas universidades e institutos há pouca preocupação em saber se os candidatos a alunos têm ou não desenvolvido capacidades de investigação. Parece que é mais fácil aceitar apenas os dados dos exames e depois deitar culpas ao ensino secundário e reprovar quem não está de acordo com os padrões "indefinidos".
A situação pode piorar ainda mais. Actualmente alguns dos exames de acesso ao ensino superior são efectuados no 11º ano e, estes alunos ficam condicionados, mesmo que desenvolvam competências no 12º, nomeadamente na Área de Projecto.
Já é tempo de as universidades e institutos politécnicos escolherem os alunos de acordo com as suas exigências. Ao escolherem não se poderão dar ao luxo de reprovarem grande parte dos alunos. Porque aí estarão em causa essas instituições, isto é, se os escolhem porque é que não servem?
Isto não é nenhuma novidade. É o normal em muitos países.
João Simas
Évora
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