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- 16/03/07 11:03 Baseado no que fez a Professora Maria do Rosário Pinheiro na sua tese de doutoramento (Pinheiro, 2003), relativamente ao aluno na sua transição secundário-superior, procuro aqui transpor essas reflexões para a vida do professor impelido pela reforma educativa que se aproxima.

Sabe-se que 30% da classe não possui uma colocação efectiva e, sabe-se ainda, que não existem escolas iguais nem alunos iguais. Os professores serão assim, provavelmente, dos profissionais que experimentarão mais transições e mudanças na sua vida, percepcionadas também por eles tal como se “exige” para ser considerada transição (referido na teoria dos 4 Ss de Scholssberg). Retira-se desta autora que a transição é um processo, não um momento, e terá a ver com as mudanças que esses acontecimentos provocam no seu dia-a-dia, assim com as respostas dadas às “rotinas, papéis, relacionamentos interpessoais e percepção acerca de si e do mundo” (idem). Então, todos os que estão envolvidos num processo de transição desenvolvem mecanismos de defesa/resposta para lidar com a mudança, suportados em recursos encontrados/disponíveis tal como (1) a “situação” ou análise da nova condição, (2) o “self” que tem a ver com o “eu” e com a motivação que pode ter ou adquirir, (3) o “suporte social” onde se encontra o (a) apoio que terá a todos os níveis incluindo a familiar, (b) o sucesso que perspectiva e (c) a valorização que pode advir dessa nova realidade, e (4) “estratégias” onde se colocam questões como o que fazer com as novas situações. Fugir? Evitar? Enfrentar? O primeiro e segundo ponto referidos poderão ser considerados como recursos de “entrada” ou pertencer a uma primeira fase da transição. Na mesma lógica, os pontos três e quatro farão parte de uma segunda fase designada por “estadia” na transição (Scholssberg, Water e Goodman, 1995, cit. idem). Estes autores acrescentam ainda uma terceira fase que se refere à “saída” ou finalização da transição que passará por uma avaliação de todo o processo e dum desinvestimento das acções implementadas. Os professores irão (ou estarão já) a experimentar assim um processo de transição que passa inicialmente pela análise dos seus novos papéis (quando, por exemplo, lhes atribuírem novas funções), novas rotinas (decorrentes dessas novas funções), novos relacionamentos interpessoais, podendo, ainda, ser alterada a imagem que ele tem de si e do mundo.

Parece-me, então, que a tomada de consciência da transição, com a respectiva análise e reconhecimento de todos os seus componentes, poderá ter vantagens no que respeita a uma adaptação (ou resposta à transição, ou, melhor ainda, antecipação) adequada, sem sobressaltos, às mudanças que lhe estão associadas.

Luis Ricardo luisffricardo@gmail.com (Março-2007)
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