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- 24/01/07 16:01 Debate Nacional sobre a Educação: Pela educação!

. INTRODUÇÃO
Parece-me inverosímil, se não houver efeitos, a atitude de discutir este assunto quando temos assistido à implementação na educação de constantes reformas ou pseudo-reformas, experiências ou pseudo-experiências, ocultas, sem serem devidamente explicadas ao público-alvo, sem serem formados os seus promotores (ninguém nasce ensinado!), abandonadas sem serem avaliadas e os resultados finais sejam um constante “dilúvio”. O sistema educativo é exigente na avaliação dos alunos, mas não o é na avaliação das escolas ou dos seus intervenientes!
Respeito muito os seres pensantes, os estudiosos, os cientistas, os legisladores, os implementadores das reformas mas é preciso sair dos gabinetes, dos centros científicos e procurar as soluções a desenvolver nos locais onde as dificuldades são claras e, sobretudo, avaliar sistematicamente essas reformas, para inovar.
No entanto, aqui deixo alguns apontamentos, algumas questões àquilo que Ministério da Educação e seus departamentos nem sempre têm dado resposta convincente. Mesmo perante questões pontuais, concretas e reais, pura e simplesmente, se demitem desprezivelmente de ouvir, conceder as devidas respostas ou esclarecimento a quem os solicita:

. URGE TER UM VERDADEIRO CONCEITO DE ESCOLA
O verdadeiro conceito de Escola passa por reconhecimento implícito que o seu centro de atenção e a “matéria-prima” são sempre, singular e puramente, os ALUNOS.

. TER COMO LEMA A QUALIDADE
Em todos os domínios e sectores, seja uma prática diária das e nas escolas. A maioria da legislação escolar faz referência directa ou indirectamente à qualidade mas ela parece ausente das escolas enquanto que no exterior, a nível empresarial, passou a ser uma exigência certificada.
Para quando escolas certificadas em qualidade, ambiente, tecnologia e segurança? Sim, é nas escolas que se preparam ou deviam preparar os jovens para a vida e para o mundo do trabalho cada vez mais exigentes.

. FIM AOS CICLOS DE ESCOLARIADE
Cada ciclo é um centro de vaidades para alguns e um centro de dificuldades para os alunos que evolui negativamente na sequência dos seus patamares. Será que haverá uma autêntica afinidade entre os ciclos?

. MASSIFICAÇÃO
Invocada como desculpa para muitas coisas mas o certo é que a escola nunca, mas mesmo nunca, se adaptou a ela. Será que queremos continuar com mais iletracia?

. ARTIGOS/ESTUDOS/LIVROS SOBRE EDUCAÇÃO
Porque se desprezam ou ignoram estudos, artigos, livros sobre a temática, …, que a comunicação social tem feito eco e que destaco alguns: “O Ministério pimba da Educação”, Público, 4.01.2007; “Indiferenças do Ministério da Educação”, Público, 24.12.2006; “Uma revolução no ensino superior?”, Público, 19.12. 2006; “Educação: uma oportunidade perdida”, Público, 12.12.2006; “223 milhões de menores são vítimas de violência”, DN, 11.12.2006; “Avaliação pedagógica do ensino superior”, DN, 10.12.2006; “Estudos denunciam selecção de alunos nas escolas públicas”, Público, 7.12. 2006; “Pelo menos 2500 alunos estão sem apoio especial”, DN, 06.12.2006; “O Estado não deve gerir a escola, antes devolvê-la aos seus actores”, Público, 4.12.2006; “12.º ano geral garante menos emprego que 9.º”, DN, 04.12.2006; “Acidente põe a nu falhas do transporte escolar”, JN, 29.11.2006; “Crise? Qual crise?”, DN, 29.11.2006; “Investimento em Educação sem retorno nos resultados”, JN, 18.11.2006; “Certificação dos cursos superiores é ineficaz”, DN, 22.11.2006; “Qualidade das pessoas é mais relevante que tamanho do País”, DN, 14.11.2006; “A inaptidão política do Ministério da Educação”, Público, 8.11. 2006; ”Falta de verbas obriga os pais a pagarem prolongamento de horário”, DN, 06.11.2006; “Ninguém gosta dos trabalhos para casa”, Público, 30.04. 2006; “Treze por cento dos alunos lidam com situações de violência doméstica”, Público, 20.10. 2006; “Sindicatos têm um papel excessivo no debate do sistema educativo” Público, 16.10. 2006; “Escolas obrigadas a recuar no plano de acção para a Matemática”, Expresso 7.10.2006; “Leilão de docentes Câmaras disputam preços Professores de actividades de enriquecimento curricular chegam a receber cinco euros por hora de aula”, JN, 22.09.2006; “ População adulta portuguesa tem a escolaridade mais fraca da OCDE”, DN, 13.09.2006; “ «O ensino aqui é o pior de tudo» (emigrante do leste), Expresso, 01.09.2006; “Onde as reformas não vão até ao fim” Público, 19.06. 2006; “Ex-ministros dizem que formação de docentes de Matemática deixa muito a desejar” Público, 26.10.2006; “Portugal tem 2701 manuais escolares”, Expresso, 01.09.2006; “défice educacional atrapalha produtividade”, Público, 25.11. 2006; “A geração rasca e a classe média do conhecimento”, Público, 15.11. 2006; “Há poucos alunos e nem os melhores são muito bons”, DN, 22.09.2006; “Insucesso escolar: alunos não acompanham o raciocínio dos professores. Estudos elaborados pelo Instituto da Inteligência, mostram que 8 em cada 10 alunos com insucesso escolar afirmam ter dificuldades em seguir os, raciocínios e métodos de ensino dos professores, Insucesso escolar em Portugal”, www.qualidadeonline.com; “A culpa não é dos alunos” Expresso on-line , 28.07.2006.


. INSUCESSO ESCOLAR/ABANDONO ESCOLAR
Não conheço nenhum estudo científico com a temática, apenas são conhecidas as percentagens do insucesso e abandono, e, por isso, todas as atitudes tomadas ou a tomar serão elaboradas no “escuro” e sem bases sólidas que possam vir a resultar em êxito, embora pense e sinta que todas as reformas são implementadas com boas intenções. Os resultados tardam!
Tem-se acusado preferencialmente os pais como principais responsáveis. Será que poderemos culpar os pais pelo falhanço dos seus filhos na escola? Será que também se culpam os pais pelo falhanço dos seus filhos na sua vida social e na sua vida profissional, ou é só na escola? Não quero, com isto, demitir os pais das suas responsabilidades, da sua obrigação de colaborar com a escola na educação dos filhos, de irem à escola, de exigirem a presença responsável dos seus filhos na escola, de serem respeitadores (e, particularmente, respeitados) e ser-lhes permitido serem críticos sem sequelas, mas a “César o que é de César”.
Será que a maioria dos pais têm formação académica e cultural para ensinar e acompanhar os seus filhos?
Porquê, da proposta ministerial da revisão do estatuto da carreira docente, se deixou cair a intenção dos pais avaliarem os professores? Será que os pais não sabem quais são os excelentes professores? Será que os alunos também não? Afinal, quem tem medo?
Nos poucos e demagogos relatórios que temos tido acesso, realizados pelas escolas, sobre o insucesso escolar as referências aos principais e directos responsáveis promotores do sucesso escolar não são evidentes e convincentes.
Vulgarmente ouve-se dizer e justifica-se que os alunos não estudam. Muitas vezes, será que conseguem estudar aquilo que não apreenderam na aula? Um estudo do Instituto da Inteligência, mostra que “8 em cada 10 alunos com insucesso escolar afirmam ter dificuldades em seguir os, raciocínios e métodos de ensino dos professores”!
Estarão os professores preparados, formados e sensibilizados para a diferenciação pedagógica e respeito pelos ritmos de aprendizagem dos nossos alunos? Será que os acompanham de imediato? Ou será que os ignoram ou abandonam?

. SUCESSO-Sugestão
Para mim, uma das medidas prementes a implementar é o reforço de professores de apoio no 1º ciclo, que ataquem de imediato, no próprio momento/dia/semana, as dificuldades para que as crianças, no fim do ano ou DO 1º ciclo, atinjam a maior nível de percentagem de sucesso, especialmente nas áreas de Matemática e Língua Portuguesa, pois o salto para o 2º ciclo é demasiado “alto”. Reflicta-se: em cada ano de escolaridade poderá haver crianças com a diferença de um ano de idade (fazer-se os mesmos anos em Janeiro ou fazer-se em Dezembro) o que nestas idades, dos 6 aos 9 anos, o estádio de desenvolvimento e maturação é deveras expressivo e diferenciado.

. REFORMAS
São implementadas sem serem explicadas às escolas, aos professores aos pais e porque não à sociedade para que todos conheçam os objectivos pretendidos, para que se avaliem, para que se peçam responsabilidades a quem executa e tem o dever de executar o que é superiormente determinado (em reformas recentes, houve quem não entendesse e não sei se já entendem: blocos de noventa minutos, áreas disciplinares não curriculares, aulas de substituição, escola a tempo inteiro. Questionam-se ainda estas medidas, …. Como é possível?).
Por exemplo, ultimamente, a comunicação social tem feito eco, através de muitos artigos, dos TLEBS. Estão todos professores, sem excepção, preparados para porem em prática a sua aplicação (a Língua Portuguesa é uma disciplina transversal)? E a formação de toda a sociedade está prevista? É nossa Língua, é a Língua Portuguesa!

. PROCESSO DE BOLONHA
Será que a reforma curricular do ensino básico e secundário foram implementadas tendo em consideração as recentes reformas do superior? Será que haverá uma verdadeira ligação pedagógica entre o secundário e o Superior?
Será que foi bem explicada a toda a sociedade o Processo de Bolonha? Desculpem-me, se calhar estava desatento!

. ENSINO SECUNDÁRIO
Porquê tanto abandono e insucesso escolar? Porquê o ensino secundário não é tratado como o básico? Porquê tanta diferenciação de tratamento dos alunos, comparativamente aos outros ciclos? Porque se deixam os alunos entregues à sua sorte?
Para quê tanto leque de ofertas, se as escolas não estão preparadas para as dar e/ou sem capacidade humana, obrigando os alunos a escolher aquilo que lhes é imposto, sem que se lhes dê oportunidade local ou regional de satisfazer as suas opções? Será que não serve de exemplo a demasiada oferta no superior e agora há cursos que não têm alunos!
Não pode haver férias nas Escolas/DREs/M.E. enquanto se organiza o ano escolar. Não é admissível que os alunos/pais saibam no primeiro dia de aulas que a escola não fornece a opção seleccionada.

. ESTATUTO DISCIPLINAR DO ALUNO
Será que é mais um elemento preponderantemente pedagógico? A escola tem consciência disso? Será que promove a educação, o sucesso e suprime abandono escolar? Será que estará a ser bem usado? Será que não haverá esmeros exacerbados na sua aplicação?

. CURSOS PROFISSIONAIS
Escola Básica e Secundária estarão preparadas para gerirem a formação de turmas, recém criadas, via profissionalizante? Os profissionais conhecem a realidade empresarial? Que formação foi dada a esses profissionais?
Foram escolhidos os cursos eminentemente emergentes a saídas profissionais ou é mais um curso? Resultaram de uma discussão franca e aberta das escolas (básicas, secundárias, profissionais, superiores) da região, das autarquias, do centro de emprego, dos grupos empresariais, de outros parceiros? Porque não se estabelecem autênticas e reais parcerias com as escolas profissionais, complementando os saberes? Qual será, então, a função das escolas profissionais?

. FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
Para além dos conteúdos científicos, deve ser feita em constante ligação com as escolas, com a prática pedagógica (teoria e prática em simbiose). Não é compreensível que formadores de professores desconheçam, ou nunca os tenham conhecido, a realidade para onde esses professores vão leccionar. É urgente criar uma cultura de proximidade Ensino Superior/empresas e instituições!
Qual é a política do M.E. na formação dos seus docentes?

. GESTÃO DAS ESCOLAS
Temos óptimos gestores mesmo sem receberam formação. O Conselho Executivo encontra-se reféns dos colegas professores (que os elegem), e do Ministério.
A missão dos gestores tem de se direccionar nos reais interesses dos alunos e nunca em benefício de qualquer outro elemento da comunidade escolar. Têm que serem autênticos líderes, não podem vacilarem e têm de agir determinados na aplicação de alguma, pouca, autonomia.
Não é pedagogicamente admissível comentarem-se, nas escolas, negativamente determinações/orientações superiores; antes forneçam ou pratiquem alternativas para ultrapassar a “crise”.
O papel do director de turma é dos mais marcantes da escola, pela importância do relacionamento directo com os alunos e precisa de ser urgentemente valorizado. Deveria ser dinamizado o exercício do Conselho de Turma, tão relevante, com uma liderança forte, partilhada, de debate, de estudo, de conhecimento profundo dos alunos, de operacionalidade, de definição de estratégias e funcional.
Quando é que os pais têm um papel determinante na administração e gestão das escola? Em dois órgãos não tem qualquer palavra (conselho executivo e administrativo) e nos outros dois a sua representatividade sempre em minoria contrariado com a maioria de docentes (Pedagógico e Assembleia de Escola).
Porque não podem os representantes dos pais estarem presentes na avaliação dos alunos, quer formativa quer sumativa?
Porque o horário de atendimento dos pais no horário não é marcado atendendo à disponibilidade da maioria dos pais da turma?
Porque os alunos e encarregados de educação não podem usar o poder de intervenção apesar da Lei lhe conferir esse direito; as responsabilidades são sempre endógenas.
Porque se convocam os encarregados de educação para reuniões em horários incompatíveis?
Porque se convocam os alunos para reuniões em horários lectivos?
Muitos dos pais não vão às reuniões, nem às escolas porque não podem fazer valer as suas opiniões, poderem ser mal interpretadas, temendo os efeitos.
É imprescindível a boa harmonia, conhecimento, parceria e entendimento entre todos os órgãos de gestão das escolas e toda a comunidade escolar, num diálogo aberto e sem ressentimentos em prol da educação: ninguém é omnipotente, ninguém é o dono da verdade.

. PROJECTO EDUCATIVO DA ESCOLA/PROJECTOS CURRICULARES DE TURMA/REGULAMENTO INTERNO
São normalmente documentos extensos, nem sempre de acordo com a realidade, pouco visível, pouco conhecidos, estáticos não trazendo, no geral, mais valia para o sucesso educativo.

. EXAMES
São necessários e concordo com eles mas as únicas vítimas têm sido só os alunos. Não têm trazido mais valias para as funções mais relevantes, ou seja, a promoção do sucesso escolar e a qualidade das aprendizagens.

. INDISCIPLINA NA ESCOLA
Muito se tem falado. Esquece que não é um problema só da escola, mas sim um problema da sociedade ou das sociedades, do país ou dos países -diariamente, entra-nos pela casa dentro; o exemplo de personalidades responsáveis -. Mas, sobretudo e estranhamente, ignora-se que a própria escola gera muita indisciplina (insatisfação, respeito, a relação professor/aluno, a deficiente resposta pedagógica para os alunos com ritmos de aprendizagens diferenciados e tratamento indiferenciado de alunos, classificações incorrectas, os alunos não são centro de atenção da escola, têm de respeitar as filas os outros não, um bar para os professores e outro para os alunos - aluno lamentava, na televisão, que o bar dos professores estava aberto e o dos alunos não-, não podem ser críticos, nunca têm razão, são avaliados e estes não avaliam quem os avaliam - a satisfação dos “clientes” é que promove o sucesso de qualquer instituição -, não podem usar o telemóvel ou fumarem e os outros podem, excesso de rigor na ordem de saída da aula ou na marcação de falta injustificada, os alunos têm de cumprir o horário ou outros não…).
Para além disso, temos de atender que há muita violência doméstica, há problemas familiares diversos e complicados, o suicídio adolescente aumenta e, muitas vezes, a indisciplina é o grito de “ipiranga”, que todos se demitem de ouvir.

. ESCOLA A TEMPO INTEIRO
Para mim só a entendo com a entrada na escola dos alunos pela manhã e saída pela tarde e onde é feita toda a vida escolar: aulas, estudo, enriquecimento escolar e cultural, …. Por favor compreenda-se: as crianças, os jovens e os adolescentes precisam de tempo para si, para as suas coisas, enfim, precisam de gozar a sua infância e a sua adolescência.
Não será que, por vezes, com a desumanidade de trabalhos de casa se está a promover a exploração infantil?

. AUTARQUIAS
Respeito muito o trabalho das autarquias e dos seus autarcas mas não tem, normalmente, uma cultura virada para a educação, manifestamente compreensível (o povo quer é o fontanário, a estrada, o muro, o saneamento básico, a luz, …).
O estado de conservação das escolas do 1º ciclo, a falta de salas, escolas a funcionar em regime duplo, as dificuldades no arranque simultâneo das actividades de enriquecimento curricular, o preço que pagam por estas actividades, as refeições, … são evidências da ausência dessa cultura. Por isso, não compreendi que o Ministério tivesse entregue a música, o Inglês, a educação física, enfim, o enriquecimento curricular às autarquias e nos outros ciclos as mantenham no âmbito escolar. Será que a autêntica formação destes jovens só começa no segundo ciclo?
É imperioso que a normalização seja uma prioridade e uma realidade!

. INSTALAÇÕES
É preciso ter instalações condignas e suficientes, adaptáveis às realidades, confortáveis, com bom ambiente térmico (frio e calor insuportáveis inimigos da concentração) e minimamente equipadas didacticamente onde alunos, professores e funcionários se sintam comodamente. (No meu tempo as instalações escolares eram mais confortáveis que a minha casa e a maioria das casas deste Portugal!)
Porquê não criar salas alternativas de leitura, de lazer, de audição de música, espaços próprios, aliás, que satisfaçam e cativem os desejos das nossas crianças e jovens.

. CURRÍCULOS
Serão os mais adaptados? Não serão extensos? Porque nem sempre se cumprem os programas obrigatórios? Porque não contemplam, no 9º ano, fim da escolaridade obrigatória, áreas de formação no âmbito do emprego/do trabalho com alguma informação útil de legislação, direitos, deveres, higiene, segurança, o que é um trabalhador, o que é uma empresa, …?

. AUTONOMIA
É ainda uma miragem mas penso que a autonomia das escolas é bem vinda. Mas agarre-se sem medo e destemidamente, aproveitando todas as mais valias para as escolas.
É preciso formar os gestores e ter pessoal auxiliar e administrativo formado e competente.
As verbas tem também de ser de acordo particular, com o estado físico das escolas, com a localização, números de alunos, desgaste, condições térmicas, meio ambiente, enfim com um sem número de itens particulares a cada um dos meios com custos diferenciados.
A autonomia não pode significar andar a mendigar, com a mão estendida, seja o que for e a quem quer for. É inadmissível, entre outros, que uma escola não tenha verba para material, para desenvolver PROJECTOS, para gerir os espaços físicos, para vedar com rede toda a área escolar, para substituir as placas com amianto ou também tenha de recorrer da verba própria, restrita e habitual, para ajudar a implementar o acesso de um deficiente às instalações ou, ainda, que tenha de comprar um central telefónica por leasing.

. MANUAIS ESCOLARES
Legislou-se mas passou-se a exigir aos alunos livros de fichas a preços proibitivos.

. INTERNET
Exigem-se alguns trabalhos de casa com consulta da Internet. Todos têm Internet? O seu custo representa 14,33% ou 7,3% do salário mínimo ou de dois, vencimento que entra em muitos lares portugueses e, às vezes, até nem entra fruto do desemprego.

. LEGISLAÇÃO ESCOLAR
Cada um interpreta a legislação à sua maneira, se quiserem ao seu sabor. Bem, desde que não ponham em causa o seu espírito, situações de igualdade, de imparcialidade e justiça ou, ainda, a hierarquia das disposições legislativas. Sem ser perito em direito e, por isso, sujeito a ser atraiçoado pelo meu bem intencionado senso, narro três conjunturas:
a) A avaliação sumativa (conhecem-se bem as finalidades e efeitos?) realiza-se em três momentos: 1º período, 2º período e 3º período, sendo cada momento um acto administrativo. O despacho normativo que institui a avaliação só permite que se recorra no último momento (3ºPeriodo); o Decreto-lei que institui o acto administrativo refere que qualquer acto administrativo pode ser objecto de recurso;
b) A avaliação sumativa, do 5º ao 9º ano de escolaridade, faz-se numa classificação de “1 a 5”. Há escolas que consideram a classificação “1” como ponto de partida e, por isso, só muito extraordinária e justificadamente é dada esta classificação; noutras é mais generalizada e não sei o que discorrer (ex: sendo a Língua Portuguesa uma área transversal, com o devido respeito, não apreendo dar-se 1 quando se tem 3 a LE2, a Hist., a Geog., a E.V. a E.F.; 2 a LE1, Mat., a CN, a FQ e Satisfaz a A.P.; ou 3 a Hist., a CN, a E.V., A E.F; 2 a LE1, a LE2, a Geog., a Mat., a FQ e Satisfaz a A.P.;
c) Na perspectiva da legislação como julgar, quando se houve falar em 3 menos ou 3 mais?

. CONCLUSÃO
O meu contributo, no essencial, pretende respeitar sempre e ter em ponderação, apenas e só, os interesses DOS ALUNOS NA PROMOÇÃO DO SUCESSO EDUCATIVO E DO GOSTO PELA ESCOLA E NA ERRADICAÇÃO DO ABANDONO ESCOLAR. Qualquer desvio representa pura demagogia!
Penso que deveria ser uma preocupação de todos, sem excepção, Os políticos que não se demitam das suas responsabilidades nesta área e que não se critique só por criticar, ajude-se com ou sem pacto (agora está este governo, ontem esteve aquele, amanhã estará aqueloutro mas a educação tem estado e está como se vê!).
Só conseguimos sermos “gente” com um maior índice de formação, de cultura. Veja-se os países com maior evolução! Não estou a dizer para se copiar, mas que os mais capazes estudem e investiguem esse progresso e se adapte à nossa realidade (Só se consegue remunerando bem e não se discuta se ganham mais ou menos que o Primeiro Ministro ou Presidente da República; ambiciona-se rapidamente o êxito, por certo, gratuito ao contribuinte porque gera maior satisfação, riqueza, progresso e igualdade. Se calhar, digo eu, os políticos poderiam ser mais bem pagos se reduzidos à dimensão do país, à competitividade e produtividade política, à responsabilização e à racionalização administrativa.).
Será que a globalidade das nossas crianças e adolescentes só merecem isto?! Por favor, crianças e adolescentes sejam mais exigentes nos vossos direitos!
Sérgio Almeida e Costa
(Pres. A. Pais E. E. EB 2,3/S de Oliveira de Frades)
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- 12/02/07 21:02 Sérgio Costa escreveu:
Debate Nacional sobre a Educação: Pela educação!

. INTRODUÇÃO
Parece-me inverosímil, se não houver efeitos, a atitude de discutir este assunto quando temos assistido à implementação na educação de constantes reformas ou pseudo-reformas, experiências ou pseudo-experiências, ocultas, sem serem devidamente explicadas ao público-alvo, sem serem formados os seus promotores (ninguém nasce ensinado!), abandonadas sem serem avaliadas e os resultados finais sejam um constante “dilúvio”. O sistema educativo é exigente na avaliação dos alunos, mas não o é na avaliação das escolas ou dos seus intervenientes!
Respeito muito os seres pensantes, os estudiosos, os cientistas, os legisladores, os implementadores das reformas mas é preciso sair dos gabinetes, dos centros científicos e procurar as soluções a desenvolver nos locais onde as dificuldades são claras e, sobretudo, avaliar sistematicamente essas reformas, para inovar.
No entanto, aqui deixo alguns apontamentos, algumas questões àquilo que Ministério da Educação e seus departamentos nem sempre têm dado resposta convincente. Mesmo perante questões pontuais, concretas e reais, pura e simplesmente, se demitem desprezivelmente de ouvir, conceder as devidas respostas ou esclarecimento a quem os solicita:

. URGE TER UM VERDADEIRO CONCEITO DE ESCOLA
O verdadeiro conceito de Escola passa por reconhecimento implícito que o seu centro de atenção e a “matéria-prima” são sempre, singular e puramente, os ALUNOS.

. TER COMO LEMA A QUALIDADE
Em todos os domínios e sectores, seja uma prática diária das e nas escolas. A maioria da legislação escolar faz referência directa ou indirectamente à qualidade mas ela parece ausente das escolas enquanto que no exterior, a nível empresarial, passou a ser uma exigência certificada.
Para quando escolas certificadas em qualidade, ambiente, tecnologia e segurança? Sim, é nas escolas que se preparam ou deviam preparar os jovens para a vida e para o mundo do trabalho cada vez mais exigentes.

. FIM AOS CICLOS DE ESCOLARIADE
Cada ciclo é um centro de vaidades para alguns e um centro de dificuldades para os alunos que evolui negativamente na sequência dos seus patamares. Será que haverá uma autêntica afinidade entre os ciclos?

. MASSIFICAÇÃO
Invocada como desculpa para muitas coisas mas o certo é que a escola nunca, mas mesmo nunca, se adaptou a ela. Será que queremos continuar com mais iletracia?

. ARTIGOS/ESTUDOS/LIVROS SOBRE EDUCAÇÃO
Porque se desprezam ou ignoram estudos, artigos, livros sobre a temática, …, que a comunicação social tem feito eco e que destaco alguns: “O Ministério pimba da Educação”, Público, 4.01.2007; “Indiferenças do Ministério da Educação”, Público, 24.12.2006; “Uma revolução no ensino superior?”, Público, 19.12. 2006; “Educação: uma oportunidade perdida”, Público, 12.12.2006; “223 milhões de menores são vítimas de violência”, DN, 11.12.2006; “Avaliação pedagógica do ensino superior”, DN, 10.12.2006; “Estudos denunciam selecção de alunos nas escolas públicas”, Público, 7.12. 2006; “Pelo menos 2500 alunos estão sem apoio especial”, DN, 06.12.2006; “O Estado não deve gerir a escola, antes devolvê-la aos seus actores”, Público, 4.12.2006; “12.º ano geral garante menos emprego que 9.º”, DN, 04.12.2006; “Acidente põe a nu falhas do transporte escolar”, JN, 29.11.2006; “Crise? Qual crise?”, DN, 29.11.2006; “Investimento em Educação sem retorno nos resultados”, JN, 18.11.2006; “Certificação dos cursos superiores é ineficaz”, DN, 22.11.2006; “Qualidade das pessoas é mais relevante que tamanho do País”, DN, 14.11.2006; “A inaptidão política do Ministério da Educação”, Público, 8.11. 2006; ”Falta de verbas obriga os pais a pagarem prolongamento de horário”, DN, 06.11.2006; “Ninguém gosta dos trabalhos para casa”, Público, 30.04. 2006; “Treze por cento dos alunos lidam com situações de violência doméstica”, Público, 20.10. 2006; “Sindicatos têm um papel excessivo no debate do sistema educativo” Público, 16.10. 2006; “Escolas obrigadas a recuar no plano de acção para a Matemática”, Expresso 7.10.2006; “Leilão de docentes Câmaras disputam preços Professores de actividades de enriquecimento curricular chegam a receber cinco euros por hora de aula”, JN, 22.09.2006; “ População adulta portuguesa tem a escolaridade mais fraca da OCDE”, DN, 13.09.2006; “ «O ensino aqui é o pior de tudo» (emigrante do leste), Expresso, 01.09.2006; “Onde as reformas não vão até ao fim” Público, 19.06. 2006; “Ex-ministros dizem que formação de docentes de Matemática deixa muito a desejar” Público, 26.10.2006; “Portugal tem 2701 manuais escolares”, Expresso, 01.09.2006; “défice educacional atrapalha produtividade”, Público, 25.11. 2006; “A geração rasca e a classe média do conhecimento”, Público, 15.11. 2006; “Há poucos alunos e nem os melhores são muito bons”, DN, 22.09.2006; “Insucesso escolar: alunos não acompanham o raciocínio dos professores. Estudos elaborados pelo Instituto da Inteligência, mostram que 8 em cada 10 alunos com insucesso escolar afirmam ter dificuldades em seguir os, raciocínios e métodos de ensino dos professores, Insucesso escolar em Portugal”, www.qualidadeonline.com; “A culpa não é dos alunos” Expresso on-line , 28.07.2006.


. INSUCESSO ESCOLAR/ABANDONO ESCOLAR
Não conheço nenhum estudo científico com a temática, apenas são conhecidas as percentagens do insucesso e abandono, e, por isso, todas as atitudes tomadas ou a tomar serão elaboradas no “escuro” e sem bases sólidas que possam vir a resultar em êxito, embora pense e sinta que todas as reformas são implementadas com boas intenções. Os resultados tardam!
Tem-se acusado preferencialmente os pais como principais responsáveis. Será que poderemos culpar os pais pelo falhanço dos seus filhos na escola? Será que também se culpam os pais pelo falhanço dos seus filhos na sua vida social e na sua vida profissional, ou é só na escola? Não quero, com isto, demitir os pais das suas responsabilidades, da sua obrigação de colaborar com a escola na educação dos filhos, de irem à escola, de exigirem a presença responsável dos seus filhos na escola, de serem respeitadores (e, particularmente, respeitados) e ser-lhes permitido serem críticos sem sequelas, mas a “César o que é de César”.
Será que a maioria dos pais têm formação académica e cultural para ensinar e acompanhar os seus filhos?
Porquê, da proposta ministerial da revisão do estatuto da carreira docente, se deixou cair a intenção dos pais avaliarem os professores? Será que os pais não sabem quais são os excelentes professores? Será que os alunos também não? Afinal, quem tem medo?
Nos poucos e demagogos relatórios que temos tido acesso, realizados pelas escolas, sobre o insucesso escolar as referências aos principais e directos responsáveis promotores do sucesso escolar não são evidentes e convincentes.
Vulgarmente ouve-se dizer e justifica-se que os alunos não estudam. Muitas vezes, será que conseguem estudar aquilo que não apreenderam na aula? Um estudo do Instituto da Inteligência, mostra que “8 em cada 10 alunos com insucesso escolar afirmam ter dificuldades em seguir os, raciocínios e métodos de ensino dos professores”!
Estarão os professores preparados, formados e sensibilizados para a diferenciação pedagógica e respeito pelos ritmos de aprendizagem dos nossos alunos? Será que os acompanham de imediato? Ou será que os ignoram ou abandonam?

. SUCESSO-Sugestão
Para mim, uma das medidas prementes a implementar é o reforço de professores de apoio no 1º ciclo, que ataquem de imediato, no próprio momento/dia/semana, as dificuldades para que as crianças, no fim do ano ou DO 1º ciclo, atinjam a maior nível de percentagem de sucesso, especialmente nas áreas de Matemática e Língua Portuguesa, pois o salto para o 2º ciclo é demasiado “alto”. Reflicta-se: em cada ano de escolaridade poderá haver crianças com a diferença de um ano de idade (fazer-se os mesmos anos em Janeiro ou fazer-se em Dezembro) o que nestas idades, dos 6 aos 9 anos, o estádio de desenvolvimento e maturação é deveras expressivo e diferenciado.

. REFORMAS
São implementadas sem serem explicadas às escolas, aos professores aos pais e porque não à sociedade para que todos conheçam os objectivos pretendidos, para que se avaliem, para que se peçam responsabilidades a quem executa e tem o dever de executar o que é superiormente determinado (em reformas recentes, houve quem não entendesse e não sei se já entendem: blocos de noventa minutos, áreas disciplinares não curriculares, aulas de substituição, escola a tempo inteiro. Questionam-se ainda estas medidas, …. Como é possível?).
Por exemplo, ultimamente, a comunicação social tem feito eco, através de muitos artigos, dos TLEBS. Estão todos professores, sem excepção, preparados para porem em prática a sua aplicação (a Língua Portuguesa é uma disciplina transversal)? E a formação de toda a sociedade está prevista? É nossa Língua, é a Língua Portuguesa!

. PROCESSO DE BOLONHA
Será que a reforma curricular do ensino básico e secundário foram implementadas tendo em consideração as recentes reformas do superior? Será que haverá uma verdadeira ligação pedagógica entre o secundário e o Superior?
Será que foi bem explicada a toda a sociedade o Processo de Bolonha? Desculpem-me, se calhar estava desatento!

. ENSINO SECUNDÁRIO
Porquê tanto abandono e insucesso escolar? Porquê o ensino secundário não é tratado como o básico? Porquê tanta diferenciação de tratamento dos alunos, comparativamente aos outros ciclos? Porque se deixam os alunos entregues à sua sorte?
Para quê tanto leque de ofertas, se as escolas não estão preparadas para as dar e/ou sem capacidade humana, obrigando os alunos a escolher aquilo que lhes é imposto, sem que se lhes dê oportunidade local ou regional de satisfazer as suas opções? Será que não serve de exemplo a demasiada oferta no superior e agora há cursos que não têm alunos!
Não pode haver férias nas Escolas/DREs/M.E. enquanto se organiza o ano escolar. Não é admissível que os alunos/pais saibam no primeiro dia de aulas que a escola não fornece a opção seleccionada.

. ESTATUTO DISCIPLINAR DO ALUNO
Será que é mais um elemento preponderantemente pedagógico? A escola tem consciência disso? Será que promove a educação, o sucesso e suprime abandono escolar? Será que estará a ser bem usado? Será que não haverá esmeros exacerbados na sua aplicação?

. CURSOS PROFISSIONAIS
Escola Básica e Secundária estarão preparadas para gerirem a formação de turmas, recém criadas, via profissionalizante? Os profissionais conhecem a realidade empresarial? Que formação foi dada a esses profissionais?
Foram escolhidos os cursos eminentemente emergentes a saídas profissionais ou é mais um curso? Resultaram de uma discussão franca e aberta das escolas (básicas, secundárias, profissionais, superiores) da região, das autarquias, do centro de emprego, dos grupos empresariais, de outros parceiros? Porque não se estabelecem autênticas e reais parcerias com as escolas profissionais, complementando os saberes? Qual será, então, a função das escolas profissionais?

. FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
Para além dos conteúdos científicos, deve ser feita em constante ligação com as escolas, com a prática pedagógica (teoria e prática em simbiose). Não é compreensível que formadores de professores desconheçam, ou nunca os tenham conhecido, a realidade para onde esses professores vão leccionar. É urgente criar uma cultura de proximidade Ensino Superior/empresas e instituições!
Qual é a política do M.E. na formação dos seus docentes?

. GESTÃO DAS ESCOLAS
Temos óptimos gestores mesmo sem receberam formação. O Conselho Executivo encontra-se reféns dos colegas professores (que os elegem), e do Ministério.
A missão dos gestores tem de se direccionar nos reais interesses dos alunos e nunca em benefício de qualquer outro elemento da comunidade escolar. Têm que serem autênticos líderes, não podem vacilarem e têm de agir determinados na aplicação de alguma, pouca, autonomia.
Não é pedagogicamente admissível comentarem-se, nas escolas, negativamente determinações/orientações superiores; antes forneçam ou pratiquem alternativas para ultrapassar a “crise”.
O papel do director de turma é dos mais marcantes da escola, pela importância do relacionamento directo com os alunos e precisa de ser urgentemente valorizado. Deveria ser dinamizado o exercício do Conselho de Turma, tão relevante, com uma liderança forte, partilhada, de debate, de estudo, de conhecimento profundo dos alunos, de operacionalidade, de definição de estratégias e funcional.
Quando é que os pais têm um papel determinante na administração e gestão das escola? Em dois órgãos não tem qualquer palavra (conselho executivo e administrativo) e nos outros dois a sua representatividade sempre em minoria contrariado com a maioria de docentes (Pedagógico e Assembleia de Escola).
Porque não podem os representantes dos pais estarem presentes na avaliação dos alunos, quer formativa quer sumativa?
Porque o horário de atendimento dos pais no horário não é marcado atendendo à disponibilidade da maioria dos pais da turma?
Porque os alunos e encarregados de educação não podem usar o poder de intervenção apesar da Lei lhe conferir esse direito; as responsabilidades são sempre endógenas.
Porque se convocam os encarregados de educação para reuniões em horários incompatíveis?
Porque se convocam os alunos para reuniões em horários lectivos?
Muitos dos pais não vão às reuniões, nem às escolas porque não podem fazer valer as suas opiniões, poderem ser mal interpretadas, temendo os efeitos.
É imprescindível a boa harmonia, conhecimento, parceria e entendimento entre todos os órgãos de gestão das escolas e toda a comunidade escolar, num diálogo aberto e sem ressentimentos em prol da educação: ninguém é omnipotente, ninguém é o dono da verdade.

. PROJECTO EDUCATIVO DA ESCOLA/PROJECTOS CURRICULARES DE TURMA/REGULAMENTO INTERNO
São normalmente documentos extensos, nem sempre de acordo com a realidade, pouco visível, pouco conhecidos, estáticos não trazendo, no geral, mais valia para o sucesso educativo.

. EXAMES
São necessários e concordo com eles mas as únicas vítimas têm sido só os alunos. Não têm trazido mais valias para as funções mais relevantes, ou seja, a promoção do sucesso escolar e a qualidade das aprendizagens.

. INDISCIPLINA NA ESCOLA
Muito se tem falado. Esquece que não é um problema só da escola, mas sim um problema da sociedade ou das sociedades, do país ou dos países -diariamente, entra-nos pela casa dentro; o exemplo de personalidades responsáveis -. Mas, sobretudo e estranhamente, ignora-se que a própria escola gera muita indisciplina (insatisfação, respeito, a relação professor/aluno, a deficiente resposta pedagógica para os alunos com ritmos de aprendizagens diferenciados e tratamento indiferenciado de alunos, classificações incorrectas, os alunos não são centro de atenção da escola, têm de respeitar as filas os outros não, um bar para os professores e outro para os alunos - aluno lamentava, na televisão, que o bar dos professores estava aberto e o dos alunos não-, não podem ser críticos, nunca têm razão, são avaliados e estes não avaliam quem os avaliam - a satisfação dos “clientes” é que promove o sucesso de qualquer instituição -, não podem usar o telemóvel ou fumarem e os outros podem, excesso de rigor na ordem de saída da aula ou na marcação de falta injustificada, os alunos têm de cumprir o horário ou outros não…).
Para além disso, temos de atender que há muita violência doméstica, há problemas familiares diversos e complicados, o suicídio adolescente aumenta e, muitas vezes, a indisciplina é o grito de “ipiranga”, que todos se demitem de ouvir.

. ESCOLA A TEMPO INTEIRO
Para mim só a entendo com a entrada na escola dos alunos pela manhã e saída pela tarde e onde é feita toda a vida escolar: aulas, estudo, enriquecimento escolar e cultural, …. Por favor compreenda-se: as crianças, os jovens e os adolescentes precisam de tempo para si, para as suas coisas, enfim, precisam de gozar a sua infância e a sua adolescência.
Não será que, por vezes, com a desumanidade de trabalhos de casa se está a promover a exploração infantil?

. AUTARQUIAS
Respeito muito o trabalho das autarquias e dos seus autarcas mas não tem, normalmente, uma cultura virada para a educação, manifestamente compreensível (o povo quer é o fontanário, a estrada, o muro, o saneamento básico, a luz, …).
O estado de conservação das escolas do 1º ciclo, a falta de salas, escolas a funcionar em regime duplo, as dificuldades no arranque simultâneo das actividades de enriquecimento curricular, o preço que pagam por estas actividades, as refeições, … são evidências da ausência dessa cultura. Por isso, não compreendi que o Ministério tivesse entregue a música, o Inglês, a educação física, enfim, o enriquecimento curricular às autarquias e nos outros ciclos as mantenham no âmbito escolar. Será que a autêntica formação destes jovens só começa no segundo ciclo?
É imperioso que a normalização seja uma prioridade e uma realidade!

. INSTALAÇÕES
É preciso ter instalações condignas e suficientes, adaptáveis às realidades, confortáveis, com bom ambiente térmico (frio e calor insuportáveis inimigos da concentração) e minimamente equipadas didacticamente onde alunos, professores e funcionários se sintam comodamente. (No meu tempo as instalações escolares eram mais confortáveis que a minha casa e a maioria das casas deste Portugal!)
Porquê não criar salas alternativas de leitura, de lazer, de audição de música, espaços próprios, aliás, que satisfaçam e cativem os desejos das nossas crianças e jovens.

. CURRÍCULOS
Serão os mais adaptados? Não serão extensos? Porque nem sempre se cumprem os programas obrigatórios? Porque não contemplam, no 9º ano, fim da escolaridade obrigatória, áreas de formação no âmbito do emprego/do trabalho com alguma informação útil de legislação, direitos, deveres, higiene, segurança, o que é um trabalhador, o que é uma empresa, …?

. AUTONOMIA
É ainda uma miragem mas penso que a autonomia das escolas é bem vinda. Mas agarre-se sem medo e destemidamente, aproveitando todas as mais valias para as escolas.
É preciso formar os gestores e ter pessoal auxiliar e administrativo formado e competente.
As verbas tem também de ser de acordo particular, com o estado físico das escolas, com a localização, números de alunos, desgaste, condições térmicas, meio ambiente, enfim com um sem número de itens particulares a cada um dos meios com custos diferenciados.
A autonomia não pode significar andar a mendigar, com a mão estendida, seja o que for e a quem quer for. É inadmissível, entre outros, que uma escola não tenha verba para material, para desenvolver PROJECTOS, para gerir os espaços físicos, para vedar com rede toda a área escolar, para substituir as placas com amianto ou também tenha de recorrer da verba própria, restrita e habitual, para ajudar a implementar o acesso de um deficiente às instalações ou, ainda, que tenha de comprar um central telefónica por leasing.

. MANUAIS ESCOLARES
Legislou-se mas passou-se a exigir aos alunos livros de fichas a preços proibitivos.

. INTERNET
Exigem-se alguns trabalhos de casa com consulta da Internet. Todos têm Internet? O seu custo representa 14,33% ou 7,3% do salário mínimo ou de dois, vencimento que entra em muitos lares portugueses e, às vezes, até nem entra fruto do desemprego.

. LEGISLAÇÃO ESCOLAR
Cada um interpreta a legislação à sua maneira, se quiserem ao seu sabor. Bem, desde que não ponham em causa o seu espírito, situações de igualdade, de imparcialidade e justiça ou, ainda, a hierarquia das disposições legislativas. Sem ser perito em direito e, por isso, sujeito a ser atraiçoado pelo meu bem intencionado senso, narro três conjunturas:
a) A avaliação sumativa (conhecem-se bem as finalidades e efeitos?) realiza-se em três momentos: 1º período, 2º período e 3º período, sendo cada momento um acto administrativo. O despacho normativo que institui a avaliação só permite que se recorra no último momento (3ºPeriodo); o Decreto-lei que institui o acto administrativo refere que qualquer acto administrativo pode ser objecto de recurso;
b) A avaliação sumativa, do 5º ao 9º ano de escolaridade, faz-se numa classificação de “1 a 5”. Há escolas que consideram a classificação “1” como ponto de partida e, por isso, só muito extraordinária e justificadamente é dada esta classificação; noutras é mais generalizada e não sei o que discorrer (ex: sendo a Língua Portuguesa uma área transversal, com o devido respeito, não apreendo dar-se 1 quando se tem 3 a LE2, a Hist., a Geog., a E.V. a E.F.; 2 a LE1, Mat., a CN, a FQ e Satisfaz a A.P.; ou 3 a Hist., a CN, a E.V., A E.F; 2 a LE1, a LE2, a Geog., a Mat., a FQ e Satisfaz a A.P.;
c) Na perspectiva da legislação como julgar, quando se houve falar em 3 menos ou 3 mais?

. CONCLUSÃO
O meu contributo, no essencial, pretende respeitar sempre e ter em ponderação, apenas e só, os interesses DOS ALUNOS NA PROMOÇÃO DO SUCESSO EDUCATIVO E DO GOSTO PELA ESCOLA E NA ERRADICAÇÃO DO ABANDONO ESCOLAR. Qualquer desvio representa pura demagogia!
Penso que deveria ser uma preocupação de todos, sem excepção, Os políticos que não se demitam das suas responsabilidades nesta área e que não se critique só por criticar, ajude-se com ou sem pacto (agora está este governo, ontem esteve aquele, amanhã estará aqueloutro mas a educação tem estado e está como se vê!).
Só conseguimos sermos “gente” com um maior índice de formação, de cultura. Veja-se os países com maior evolução! Não estou a dizer para se copiar, mas que os mais capazes estudem e investiguem esse progresso e se adapte à nossa realidade (Só se consegue remunerando bem e não se discuta se ganham mais ou menos que o Primeiro Ministro ou Presidente da República; ambiciona-se rapidamente o êxito, por certo, gratuito ao contribuinte porque gera maior satisfação, riqueza, progresso e igualdade. Se calhar, digo eu, os políticos poderiam ser mais bem pagos se reduzidos à dimensão do país, à competitividade e produtividade política, à responsabilização e à racionalização administrativa.).
Será que a globalidade das nossas crianças e adolescentes só merecem isto?! Por favor, crianças e adolescentes sejam mais exigentes nos vossos direitos!
Sérgio Almeida e Costa
(Pres. A. Pais E. E. EB 2,3/S de Oliveira de Frades)
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- 19/02/07 23:02 Na continuação de tantas discussões sobre a Educação, vou agora centrar-me na Gestão Escolar:

- Tendo sido retirada do ECD uma proposta de alteração ao Regime de Autonomia, Administração e Gestão, publicado em anexo ao Decreto-lei 115-A/1998, inicialmente aí colocada, voltamos a perguntar como irão ser as próximas eleições para os órgãos de gestão das Escolas e Agrupamentos?
- Parece-me que limitar as candidaturas aos docentes em exercício nessa Escola ou Agrupamento não será o mais correcto.
- Poderíamos, talvez, alargar o "leque" das candidaturas e deveríamos criar "penalizações" para quem "gere mal" para quem comete gafes atrás de gafes.
- Premiar os "bons" e penalizar os "maus gestores" pelo menos impedindo-os de não se recandidatarem poderá ser um passo para termos melhores liders e melhor educação nas nossas escolas.

- Será possivel criar uma articulação entre os serviços da IGE e os serviços regionais ou centrais do Ministério da Educação de modo que estes conheçam as incongruências (e incompetências) detectadas por aqueles? Estas informações poderiam funcionar como falta de requisitos para uma não aceitação de candidaturas para os órgãos de gestão.
- O que faz a IGE às informação recolhidas nas suas visitas às Escolas? Qual a utilidade dessas informações?
- A senhora Ministra da Educação poderia aproveitar os elementos recolhidos pela IGE para promover os "bons" gestores das nossas escolas.
- As Direcções Regionais poderiam utilizar essas informações para promover "boas práticas".

- Mas isto só será possível com uma verdeira articulação entre os diversos serviços do Ministério. Será que conseguimos?
Alguém tem de dar o primeiro passo!Nem tudo tem de ser mau em EDUCAÇÃO, pois não?

Item editado por: custodia, em: 20/02/07 12:02
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